Família Saudável
Além da Medicina Nº 3

Vamos abordar aspectos mais concretos em relação à proteção e manutenção da própria saúde. Como foi dito na última publicação de “Além da medicina”, a maior chave mestra para a saúde a restauração de uma boa digestão, funcionamento intestinal e proteção do fígado.

Com toda razão poderemos acrescentar que nossas emoções, até a qualidade de nossos pensamentos também influenciam profundamente nossa saúde. Hoje ficaremos voluntariamente focados nos aspectos físicos, pois nosso estado orgânico e metabólico condiciona nossos humores, comportamentos e nossa sensibilidade, e vice e versa.

As abordagens naturais são lógicas e estruturadas. São processos que têm início e fim. Não estamos procurando afastar sintomas sem conhecer as causas, até as causas das causas, e trabalhando nelas.

A primeira fase é desintoxicar o organismo.

As toxinas acumuladas diminuem nossa imunidade, bloqueiam ou atrapalham funções orgânicas importantes e representam um desgaste energético as vezes enorme, gerando também cansaços até esgotamento nervoso, entre outros.

Os sintomas mais comuns são: insônia e dificuldade de levantar de manhã, falta de fome na hora do café da manhã, mau hálito, olheiras, irritabilidade, falta de memória, alergias, suores fétidos, pessoa calorenta, enjoo, vontade de alimentos prejudiciais, e muito mais…

Não esqueçamos que o propósito central é recolocar a sua saúde em suas mãos. Então partimos do princípio que vocês estão prontos para reavaliar, mudar algo na sua rotina diária.

Antes de começar a fase de desintoxicação, sugiro anotar os alimentos e bebidas que precisam ser ELIMINADOS DOS HÁBITOS ALIMENTÍCIOS. Quando for possível, melhor SUBSTITUÍ-LOS por alimentos saudáveis. Tudo que entra nas nossas casas será consumido, cuidado na hora da compra!

No mapa abaixo, países de cor vermelha, não são comunistas! Eles representam as regiões onde encontramos o maior número de pessoas asmáticas. Também são países onde encontramos o maior consumo de alimentos industrializados e fastfood. A zona azul corresponde à Rússia (clima frio) e China (com alto índice de poluição). Isto demonstra que a causa dessa doença pulmonar não é climática.Mapa pessoas asmaticas

Este quadro aponta o Brasil como fazendo parte dos países com índice de risco de doenças pulmonares entre os mais elevados do mundo!
Asma = organismo intoxicado + emocional mal administrado + alimentação desequilibrada e desnaturada.
As causas são: Alimentação inadequada ⇒ perturbação do ecossistema intestinal (perfil bacteriano desequilibrado, hiper permeabilidade da mucosa intestinal) ⇒ processo inflamatório e reação imune
⇒ até erro na replicação do DNA (dano genético) ⇒ DOENÇAS DEGENERATIVAS.
4669289O processo inflamatório gera uma inflamação global das mucosas (asma = pulmão = mucosa). Veja:
Os pulmões são mucosas. O sistema digestivo, da boca ao ânus, é coberto por mucosas específicas.

De certa forma somos semelhantes a um tubo com duas extremidades (boca e ânus). Tudo que se encontra dentro deste tubo ainda não entrou no organismo. A nível dos pulmões, as alvéolas pulmonares permitem oxigenar o sangue. O oxigênio que está nos pulmões ainda não entrou no organismo. Idem para o sistema digestivo, onde os alimentos serão processados, transformados pelas enzimas digestivas, para serem assimilados seletivamente pelas mucosas intestinais.

As mucosas são então lugares de contato, de trocas com o mundo exterior, razão pela qual encontra-se nelas uma importante atividade imune (defesas imunitárias).

Nossa mucosa intestinal abriga um fantástico ecossistema, pois está repleta de bactérias. Os intestinos representam nosso maior contato com o mundo externo (superfície: 200 a 300 m²).

Quando sabemos que somos constituídos por 10 % células e 90% bactérias, que nossas bactérias são indispensáveis à nossa sobrevivência, que elas se comunicam com nosso cérebro e nossas células e que, entre as duas camadas musculares dos intestinos delgado encontramos o SNE (Sistema Nervoso Entérico),Sistema Nervoso Entérico responsável pela síntese dos principais neurotransmissores do sistema nervoso (função das células cromafinas), que ele funciona como um “cérebro” autônomo que também é responsável pelo bom funcionamento do sistema digestivo, do esôfago ao ânus, quando sabemos isso tudo entendemos por que este ecossistema é o mais importante suporte das nossas principais funções vitais.
Agora faz sentido o porquê o desequilíbrio do ecossistema intestinal ter consequências que vão bem além das perturbações digestivas?

Consequentemente dá para entender também porque não é possível restaurar um novo equilíbrio e manter os resultados terapêuticos a longo prazo sem recuperar, antes de qualquer coisa, a funcionalidade do ecossistema intestinal?Microbiota de pessoas obesas e saudáveis

Por isso aconselhamos colocar a sua alimentação e estilo de vida ao centro do seu sistema de saúde!

Como desintoxicar nosso organismo?
Em primeiro lugar é importante conhecer, descobrir o que danifica o delicado equilíbrio da microbiota (flora intestinal). Alimentação e estilo de vida andam de mãos dadas. É necessário eliminar o que prejudica antes de “limpar”.

Estresse, química nos alimentos, medicamentos sintéticos, excessos alimentares e carências micro nutricionais são os mais comuns, mas, metais pesados também são muito prejudiciais! (Amálgamas dentários, vacinas, consumo frequente de peixes grandes, poluição atmosférica, por exemplo).

Disbiose IntestinalEm segundo, evitar a armadilha do radicalismo, da rejeição do pessimismo e/ou o sofrimento do perfeccionismo. O pior e melhor convivem neste planeta há milênios … Aconselho fazer o que for possível, mês após mês. Anos após anos.

E em terceiro, (a sobremesa!)

As plantas que desintoxicam o fígado: CARDUUS MARIANUS importante protetor hepático, CASTANHA DA INDIA, a planta das hemorroidas de polaridade hepática, (ação mais profunda quando associada à MELILOTUS). DENTES DE LEÃO e BOLDO são excelentes clássicos na estimulação da desintoxicação hepática, NUX VOMICA remédio do fígado, com náuseas e falta de apetite. Quanto à ALCACHOFRA ela é um drenador maior do fígado. CÚRCUMA, importante protetor hepático e renal, antioxidante e sobretudo potente anti-inflamatório com ponto de partida intestinal!

Não adianta estimular a desintoxicação do fígado sem simultaneamente desintoxicar os intestinos, pois as toxinas hepáticas provêm justamente dele!

Desintoxicação intestinal e cuidados da microbiota:

Uma alimentação simples, baseada em legumes, verduras (à vontade), um pouco de arroz, e bem pouco feijão (ou lentilhas), temperadas com ervas condimentares e especiarias (um mundo fascinante e saudável…). Eliminar doces, açúcares, chocolate e sobremesas, café, álcoois, leite de vaca e trigo.
As Frutas, castanhas, SUCOS VERDES, sementes, pão sem glúten, FIBRAS, massas sem glúten (quantidade moderada) são bem-vindos.

Duração: 14 dias

Isto é uma dieta detox simples, ela não é obrigatória, mas permite resultados rápidos, mais profunda, então motivantes!

Pequena observação sobre dietas:

Não faça dietas para perder peso! Mas sim, utilize dietas como FERRAMENTAS nutricionais. Pois para emagrecer e estabilizar o peso, será necessário modificar o seu equilíbrio alimentar, fazendo escolhas alimentares. Isto já foi comprovado e publicado em revistas científicas durante os últimos 60 anos! As melhores escolhas alimentares favorecem uma predominância em alimentos protídicos (não se trata de regimes hiper proteinados do tipo Atkins ou Dunkan, etc.), com uma nítida redução dos glucídios (açúcares – feculentos), acompanhada de suplementação em minerais, vitaminas, ácidos graxos essenciais e ômega 3.

Isto não é miraculoso, a suplementação proteinada facilita consideravelmente a mudança dos hábitos alimentares e permite modificar a composição da microbiota na obesidade e sobre peso.

As fibras sempre foram fundamentais fatores equilibrantes da flora intestinal. Todavia devemos reconhecer que a nossa alimentação “moderna” está pobre deste elemento.

Nos vinte últimos anos, a nossa alimentação perdeu a metade de seus micronutrientes (minerais, vitaminas, oligo-elementos e enzimas nutricionais), por causa da industrialização da mesma. Razão pela qual uma suplementação em fibras e micronutrientes não é luxo em nossa época, mas necessária.

Existem vários tipos de fibras alimentícias, elas são verdadeiras NUTRACÊUTICAS, apesar de não serem assimiladas pelo organismo. Elas alimentam e fornecem energia para nossas bactérias intestinais. São alimentos SELETIVOS fermentados principalmente por bactérias “DO BEM”. As fibras são bifidogênicas, elas dão uma vantagem competitiva em favor das bactérias “do bem”, sobre as bactérias patogênicas. As Bifidobactérias são assim capazes de modificar a composição da microflora e controlar as patógenas. Elas são as mais relevantes para sanear o ecossistema, gerando um ambiente levemente ácido e reduzido (oposto de oxidado). Isto não mata as patógenas, mas as “entorpecem”. Um segundo mecanismo de controle das patógenas foi recentemente colocado em evidência por cientistas ingleses:
Bifidobactérias
As bifidobactérias excretam substâncias antimicrobianas com ação de largo espectro.

Além das patógenas comuns, espécies provenientes de cepas Salmonelas, Listeria, Campylobacter, Shigella, Vibrio cholerae também foram inibidas pelas bifidobactérias.

Foi também observada uma proteção a longo prazo contra a invasão e colonização por patógenos.

Nosso capital de bifidobactérias diminui com o envelhecimento. Finalmente as fibras permitem o crescimento do seu próprio capital microbiológico!

Acesse: Para saber mais sobre a Microbiota!

Até a próxima edição, prezado leitor!

Atenciosamente, Dr. Jean Marc – Jarinu SP