Além da Medicina nº 4

A etnofarmacologia está realizando a conexão entre as ciências humanas e as ciências naturais. Em várias regiões do mundo, onde ainda existem sabedoria ancestral e práticas terapêuticas naturais, equipes compostas de etnólogos, botânicos químicos, farmacólogos e historiadores estão estudando plantas medicinais e medicinas tradicionais.

além da medicina imgO funcionamento de sistemas terapêuticos das medicinas tradicionais é fundamentado em princípios muito diferentes que os da medicina moderna.

botanicoO botânico procede ao inventario das plantas, as identifica e classifica segundo famílias e espécies.

FarmaceuticoO farmacologista assume o trabalho de laboratório, para responder à pergunta: Esta planta é eficiente?

Em 75 % dos casos, os resultados das avaliações científicas confirmam as práticas tradicionais e mostram a pertinência da sabedoria ancestral na utilização de plantas e meios naturais de tratamento.

Cada região do nosso planeta tem a sua medicina tradicional. Aqui no Brasil, os conhecimentos legados pelas populações indígenas ainda existem. Estudiosos brasileiros famosos e estrangeiros redigiram livros, artigos científicos sobre caraterísticas terapêuticas de grande interesse e biodiversidade das plantas brasileiras. Muitas regiões da Mata Atlântica e sobretudo tribos da Amazônia foram visitadas, investigadas, por inúmeros laboratórios, na maioria estrangeiros, procurando moléculas desconhecidas entre outras.

Graças às descobertas científicas, a utilização das plantas que curam adquiriu um grande interesse de parte dos especialistas deste setor. Temos um tesouro abaixo dos nossos pés, portanto, em nome do triunfo da molécula química, continuamos tomando antibióticos para tratar uma úlcera do estômago, por exemplo!

Úlcera estomacal e H. Pylori

H. Pylori é uma superbactéria muito difundida, surpreendente pois está em casa no nosso estômago, apesar da forte acidez deste meio. Ela é presente no estômago da metade da população mundial, particularmente nos países emergentes onde se encontra em 80% da população.

A bactéria provoca, no início, uma inflamação persistente da mucosa estomacal ⇒ gastrite crônica. 20% dos casos evoluem sob forma de úlcera gastroduodenal, câncer gástrico ou linfoma.

H Pylori
Helicobacter Pylori

O tratamento envolve sistematicamente o uso de antibióticos combinado com outro medicamento para atenuar a acidez gástrica.
Sem dúvida, a utilização de antibióticos foi uma verdadeira revolução no tratamento das doenças gástricas induzidas pela bactéria H. Pylori, com nítida melhora dos sintomas, incluído o câncer. Este tratamento comprovou ser capaz de barrar a evolução das lesões estomacais, independentemente da idade do paciente e do fato da doença ser antiga.

No entanto, depois de 30 anos de aplicação do protocolo de tratamento, utilizando a mesma categoria de antibióticos, Helicobacter Pylori adquiriu resistência, que aumenta a cada ano.
Por outro lado, já sabemos que a medicina do terceiro milênio não será pasteuriana!
Antes de qualquer coisa, vamos tentar entender melhor o que são gastrite e úlcera estomacal:

H Pylori1A gastrite é a inflamação da mucosa do estômago
provocada pela diminuição da secreção de um muco, cuja função é justamente de protegê-la, e a presença de condições favoráveis à proliferação da bactéria H. Pylori. A ulcera é a agravação desta situação, por lesões mais graves, profundas, na própria estrutura do órgão. A proliferação do H. Pylori seria a causa da doença? Ou seria a alteração da qualidade do meio estomacal que lhe permitiu proliferar à vontade, prejudicando assim a mucosa interna do estômago?
Sem dúvida podemos incluir certos aspectos do nosso estilo de vida capazes de provocar uma importante alteração do meio estomacal:

1. Os especialistas em microbiologia digestiva observaram que a qualidade da flora bucal influencia diretamente o equilíbrio da flora estomacal.
2. De outro lado, é bem estabelecido que ESTRESSE e PREOCUPAÇÕES também prejudicam o bom funcionamento da digestão, principalmente do estômago!
3. Comer rapidamente, sem mastigar e insalivar direito, com estresse, e/ou comer em quantidade excessiva, impede um funcionamento normal do estômago.
4. A alimentação moderna representa um fator agravante para as doenças estomacais e do sistema digestivo por inteiro.

Piores Alimentos

A maioria das doenças têm causas externas e internas.
As causas externas são relacionadas ao meio ambiente e ao estilo de vida, e o estilo de vida é a “alavanca” mais poderosa que temos a disposição para reverter um processo de adoecimento.

Porém, como foi explicado na publicação de janeiro 2016: http://fibrativa.com.br/2016/01/25/433/, não é tão fácil mudar algo da nossa rotina.

A principal dificuldade da medicina natural não é a sua eficiência, bem pelo contrário, ela mostra o caminho da cura, e disponibiliza os meios adequados para tanto. A principal dificuldade é de conseguir a participação do paciente para cuidar da sua própria saúde.
Como participar?

Participar não se limita a tomar um remédio, participar no objetivo do seu próprio tratamento consiste em aceitar fazer novas escolhas, mais compatíveis com a saúde e com o objetivo do tratamento. Por isso, informações e conscientização podem mudar profundamente a nossa vida de maneira muito positiva.
Velhos Caminhos

Não é fácil, é uma vitória sobre si mesmo, mas está ao alcance de todos.

Por lei, não é permitido tratar uma doença infecciosa sem recorrer aos tratamentos convencionais reconhecidos.
Por isso seu médico vai receitar o antibiótico adequado para a “sua” úlcera estomacal.
Não é intenção minha em desrespeitar a lei, mas não é proibido saber mais sobre:

Como eliminar o tão famoso Helicobacter Pylori, contando com sua participação ativa? 

Mastigar e insalivar os alimentos, verificar o grau de preocupação que pesa sobre a nossa vida, nosso estômago e nosso sono, adaptar, corrigir a alimentação.

Alimentos que pioram os sintomas: Chocolate ⇒ Laticínios ⇒ Álcool ⇒ Bebidas gasosas contendo cola ⇒ Certas especiarias tais como ⇒ pimenta preta, mostarda, noz moscada.

A importante vantagem das plantas medicinais e alimentares vem do fato de que elas agem simultaneamente sobre:
1. Os mecanismos biológicos da bactéria patógena.
2. Sobre seus fatores externos necessários à sua sobrevivência.

Plantas alimentares:

“Por acaso”… existem numerosas plantas alimentares que podem ser utilizadas, sobretudo aquelas que são ricas em derivados sulfurados. Elas impedem a adesão da bactéria H. Pylori à mucosa estomacal e se opõem a sua proliferação. O consumo diário destes alimentos durante 3 meses no mínimo pode enfraquecer e até eliminar a bactéria.

As mais eficientes pertencem à família das brassicaceaes, onde encontramos as couves, o nabo, o rabanete, couve de Bruxelas, couve flor e sobretudo os BRÓCOLIS. Estes são os mais potentes, eles concentram nas suas extremidades compostos chamados de glucosinolatos que se transformam em sulforafanos, moléculas letais para H. Pylori.

Os brócolis devem ser bem verdes e frescos. Eles podem ser consumidos cozidos a vapor (com fogo baixo), temperados com limão e azeite de olivas. Podem ser incorporados em sucos verdes também.

Raiz forte é muito utilizada na comida japonesa. A pasta da raiz forte “Wasabi” é ideal para temperar legumes, tofu e outros alimentos. A pasta pode ser diluída para minimizar o seu sabor forte.

Alho e cebola também são ricos em derivados sulfurados, eles podem ser acrescidos na alimentação ou consumidos alternadamente com brócolis.

Cranberry e mirtilo são outras plantas alimentícias que podem ser utilizados à vontade, são ricas em antocianosídeos, que são pigmentos muito eficientes para impedir a aderência e a proliferação do H. Pylori à mucosa estomacal. Elas previnem complicações tais como: inflamação, oxidação e cancerização.

Cúrcuma e gengibre, cuja propriedades contra H. Pylori (anti-inflamatória, anticancerosa, antioxidante) são confirmadas por numerosas publicações científicas. O gengibre também melhora as perturbações digestivas devido à infecção.

Banana e batata doce não podem ser deixadas de lado, são ótimas na PREVENSÃO contra a agressão ácida do estômago, pela sua ação reguladora do pH (acidez) do estômago. Por essas razões, elas facilitam também a cicatrização da mucosa.

Plantas medicinais:H Pylori2

Frente ao aumento da resistência do H. Pylori aos antibióticos, a utilização das plantas medicinais é altamente recomendada, mesmo junto ao tratamento convencional.

As principais plantas utilizadas são:

nigella sativaNIGELLA SATIVA, semente (também chamado cominho negro). ⇒ Anti H. Pylori ⇒ Proteção da mucosa gástrica. Tomar 1 colher de sopa (2 g) / dia, 3 meses.

BabosaALOE VERA, polpa da babosa. ⇒ Anti H. Pylori ⇒ Proteção da mucosa gástrica ⇒ Anti-inflamatória ⇒ Cicatrizante Tomar até 3 colheres de sopa por dia, 3 meses

alcaçuzALCAÇUZ, extrato da raiz em pó. ⇒ Anti H. Pylori ⇒ Proteção da mucosa gástrica ⇒ Anti-inflamatória. Tomar 150 mg por dia, 3 meses.
Contraindicações: Pressão alta, doenças cardíacas, do fígado e rins.

MENTA PIPERITA, óleo essencial PURO

Menta PiperitaO uso de óleos essenciais por via interna é muito pouco conhecida no Brasil. O óleo essencial de menta piperita é de uso comum na Europa, principalmente por sua ação facilitadora da digestão e alívio de dores. No entanto sua ação anti-infecciosa sobre cepas de bactérias patógenas do trato digestivo é potente, particularmente sobre a salmonela e H. Pylori.
⇒ Potente ação anti H. Pylori
⇒ Melhora a digestão, as insuficiências hepáticas e pancreáticas
⇒ Proteção da mucosa gástrica
⇒ Anti-inflamatória
⇒ Estômago e intestino “preguiçosos”

Como usar o óleo essencial por via oral: 
Misturar 6 gotas de óleo essencial puro, em 10 ml de azeite de oliva. Incorporar à preparação, 10 gramas de farinha de linhaça moída, ou ainda melhor, 10 g do produto CERES, misturar bem. Acesse: http://fibrativa.com.br/produto/fibrativa-ceres/ Tomar 1 colher de café rasa da preparação, 1 x por dia, durante 2 meses, depois tomar 2 x por semana durante 4 meses. Conservar o produto na geladeira. A preparação é suficiente para 8 a 10 dias de consumo, renovar a fórmula.
A fórmula acima é muito segura, ela disponibiliza 1/10 de gota de óleo essencial por dia, o que permite o uso da forma apresentada acima. Apesar do seu alto grau de segurança, a fórmula apresentada acima NÃO PODE SER UTILIZADA SEM NENHUMA EXCEÇÃO por mulheres grávidas, nutrizes e crianças com menos de 10 anos.

LIMÃO SICILIANO ou TAITI, óleo essencial PURO

Limao Siciliano⇒ Importante ação anti H. Pylori, anti-infecciosa e anti-bacteriana
⇒ Insuficiência hepática e digestiva
⇒ Cicatrizante da mucosa estomacal
⇒ Calmante do sistema nervoso

Como usar o óleo essencial de limão?
Da mesma forma que o óleo de menta piperita.

É possível criar uma sinergia de ação colocando os dois óleos essenciais na mesma preparação: Misturar 3 gotas de óleo essencial puro, do óleo de Menta e 3 gotas do óleo de limão, em 10 ml de azeite de oliva. Incorporar à preparação, 10 gramas de farinha de linhaça moída, ou ainda melhor, 10 g do produto CERES, bem misturado.

Tomar 1 colher de café rasa da preparação, 1 x por dia, durante 2 meses, depois tomar 2 x por semana durante 4 meses.
Conservar o produto na geladeira. A preparação é suficiente para 8 a 10 dias de consumo, renovar a fórmula.

Referências bibliográficas:
⇒ Ohno T1, Kita M, Yamaoka Y, et al.Antimicrobial activity of essential oils against Helicobacter pylori.Helicobacter.2003 Jun;8(3):207-15.
⇒ Rozza AL, Moraes Tde M, Kushima H et al.Gastroprotective mechanisms of Citrus lemon (Rutaceae) essential oil and its majority compounds limonene and β-pinene: involvement of heat-shock protein-70, vasoactive intestinal peptide, glutathione, sulfhydryl compounds, nitric oxide and prostaglandin E₂.Chem Biol Interact.2011 Jan 15;189(1-2):82-9.
⇒ Salem EM1, Yar T, Bamosa AO et al.Comparative study of Nigella Sativa and triple therapy in eradication of Helicobacter Pylori in patients with non-ulcer dyspepsia.Saudi J Gastroenterol.2010 Jul-Sep;16(3):207-14.doi: 10.4103/1319- 3767.65201.
⇒ Toshio Fukai.Ai Marumo, Kiyoshi Kaitou et al.Anti-Helicobacter pylori flavonoids from licorice extract.Life Sciences.Volume 71, Issue 12 , 9 August 2002, 1449-1463.
⇒ Yanaka A, Fahey JW, Fukumoto A et al.Dietary sulforaphane-rich broccoli sprouts reduce colonization and attenuate gastritis in Helicobacter pylori-infected mice and humans.Cancer Prev Res (Phila).2009 Apr;2(4):353-60.

Dr. Jean Marc – Jarinu SP

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